21 setembro 2009

La Glamourese









Exposição: LA GLAMOURESE
Fotógrafo: Vicente Luiz
Curador: Rafael Maia


Já faz algum tempo que a moda busca inspiração em épocas passadas. Desde a primeira guerra mundial, quando o trabalho feminino começou a se fazer presente, os espartilhos caíram e roupas mais práticas tomaram seu lugar; as saias subiram e desceram várias vezes, foram largas, justas, evasés, godês, plissadas. A moda evolui como evoluiu a imprensa, o consumo, a mídia. Ela não mente a realidade, antes interpreta-a.


O trabalho realizado pelo Fotógrafo Vicente Luiz, que sempre caminhou passo a passo com a moda e suas vertentes, retrocede ao século XX, onde os espartilhos deram lugar as saias que mostram misteriosamente, as linhas das belas e longas pernas.
Vestidos mais curtos, leves e elegantes, com braços e costas a mostra envolto sempre a muita seda.

Texto: Rafael Maia
Fotos: Vicente Luiz

18 setembro 2009

Reminiscências

[...] certa vez sonhei que meus noventa anos haviam perdido o zero transformando-se em nove, a rua da minha infância se abriu pra mim com todas as cores, cheiros e imagens... corri sem rumo sentindo a terra quentinha embaixo dos pés... na minha mão cabia o maior de todos os tesouros deste mundo (uma moeda de tostão ganhada sempre depois do almoço), sentei na calçada junto com meus amigos, olhei o céu e esperei o grande acontecimento de todas as tardes... não demorou muito e vimos o sorveteiro dobrar a esquina [...]  Manuel de Barros

   Na mostra fotográfica intitulada "Reminiscências" a fotógrafa Roseane Souza nos leva a uma viagem no tempo, precisamente aquelas tardes em que os ambulantes visitavam as ruas trazendo seus carrinhos e tabuleiros, enchendo de sabores diversos os dias de liberdade e brincadeiras.Sua forma peculiar de fotografar "de baixo para cima" permite ao expectador embarcar nas lembranças do ângulo de visão de quando eram crianças e as pontas dos pés serviam para facilitar as alturas.
    O olhar de Roseane revela detalhes por vezes despercebidos aos menos atentos. O que torna a mostra ainda mais interessante é a sensação de que "a memória não filma, fotografa" como afirmou Mary Maccarthy em seu livro sobre a imortalidade.
    Apesar da Contemporaneidade das 20 imagens expostas as "Reminiscências" justificam-se segundo a ótica de Kossoy de que toda fotografia que observamos se refere ao passado, na forma de momento vivido e irreversível, e que as situações, sensações e emoções que vivemos estão registradas em nosso íntimo como impressões.
    A exposição nos permite um verdadeiro passeio pela rua da infância de quem chegou a idade exaltada por Balzac, um passeio entre bolinhas de gude, peões, amarelinhas riscadas no chão, pipas, bambolês e outros ícones das tardes de espera pelos ambulantes carregados de doces, salgados e poesia.
 
Serviço:
Mostra fotográfica – Reminiscências
Fotógrafa: Roseane Souza
Curadora: Maria Lu
Galeria Massangana / FUNDAJ
Av. Dezessete de Agosto, 2187 - Casa forte
De 14 de novembro a 14 de dezembro de 2009
Seg. a Sexta, das 8h às 12h e das 14h às 18h






Texto por Maria Lu e Fotos por Roseane Souza

Sertão Lúdico


Mostra: Sertão Lúdico
Curador: Kaká Morais
Fotógrafa: Drica Melo

O sertão pernambucano é o cenário onde a artista buscou inspiração para compor as imagens reunidas nessa mostra. Sertão Lúdico retrata, de maneira sensível e poética, as belezas naturais dessa região, considerada hostil por sua vegetação e clima, típicos da caatinga, nos levando a crer e ver que há muito mais, que espinhos e terra seca e que mesmo esses elementos, bem trabalhados, podem render incríveis imagens.

A natureza é majestosa e imponente e é esse sentimento que Drica Melo tenta retratar em suas composições. “O homem é parte dessa realidade e deve estar integrado, intimamente ligado a ela. Se nutrir de sua força e energia e transformar isso em um bom trabalho, é o que procuro fazer. Quero despertar naqueles que vêem minhas fotografias, o interesse em manter o elo, o vínculo com o natural, com a natureza, quero que se sintam parte dela e com isso a respeitem como gostariam de ser respeitados.”

Em suas andanças, sob o sol forte do sertão, em paus-de-arara, visitando tribos e lugares pouco explorados, ela segue transformando sentimento em imagem e nos contemplando com um trabalho de tamanha qualidade, talvez tão grande quanto a própria natureza!



Texto: Kaká Morais
Fotos: Drica Melo

17 setembro 2009

Poetizando o Casamento

Mostra: Poetizando o Casamento

Curador: Drica Melo
Fotógrafa: Kaká Morais

Tradição, sonho e emoção são elementos pertinentes ao olhar crítico e absolutamente sensível da fotógrafa Kaká Morais ao registrar casamentos.


Aliados ao domínio da técnica, experiência, boa dose de disposição e prazer pelo que faz, ela nos remete aos cenários, ora clássicos e glamorosos, ora simples e românticos, de um dos momentos mais importantes daqueles que optam por este tipo de ritual e depositam na sua simbologia sonhos e expectativas de uma vida plena e feliz: o casamento.


Segundo a artista: “a fotografia de casamento é o sincronismo entre luz e emoção. A expectativa de quem me contrata é ter um álbum que conte a história de um momento especial de uma família. O fotógrafo de casamento tem que ser um poeta da luz, que mescla técnica e emoção.”


E é embalado por esse espírito de ternura, união e harmonia, que podemos observar a excelência de seus registros, verdadeiramente poéticos, reunidos nessa mostra e que tem como alicerce o mais nobre e puro de todos os sentimentos: o AMOR.



Texto: Drica Melo
Fotos: Kaká Morais

Poética dos pés

“Meus pés descalços vão pisando as ruas do mundo
Meus pés descalços vão pisando as ruas do mundo
Percorrendo as avenidas
Vejo imagens distorcidas
Vou andando pelas ruas
Ouvindo meu silêncio
[...]
Meus pés descalços vão pisando as ruas do mundo
Meus pés descalços vão pisando as ruas do mundo
Meus pés descalços vão pisando as ruas do mundo
Meus pés descalços vão pisando as ruas do mundo
Meus pés descalços vão pisando as ruas do mundo” - Caçulas

     São eles que nos sustentam, são eles nosso apoio, são eles que nos fazem exercer o direito de ir e vir, são eles que nos levam pelo mundo... Talvez seja essa a ligação tão profunda que a fotógrafa Maria Lu tenha com os pés.
Com muita poesia, sensibilidade, criatividade e plasticidade ela fotografa os pés desde sua adolescência, em seus mais variados momentos, com as mais diferentes anatomias.
    Na mostra fotográfica “Poética dos pés”, Maria Lu apresentará 15 fotografias dispostas no teto da Galeria, com colchões espalhados pelo chão para que os visitantes possam “de pés pra cima” observar e tentar entrar no universo que envolve toda essa fascinação.

Sob os meus pés,
o mundo caminha alheio
faço versos descartáveis
incorporados ao meu tempo...
tempo de fotografar.
descalça ouço o vento a sussurrar docemente
e as imagens vão surgindo... cores e mais cores...
as que existem e as que invento.
muitas vezes me ponho a "pensar nos meus pés e nos pés de toda a humanidade." Maria Lu

Serviço:
Mostra fotográfica – Poética dos pés
Fotógrafa: Maria Lu
Curadora: Roseane Souza
Galeria Baobá / FUNDAJ
Av. Dezessete de Agosto, 2187 - Casa forte
De 13 de outubro a 13 de novembro de 2009
Seg. a Sexta das 8h às 12h e das 14h às 18h












Texto por Roseane Souza e Fotos por Maria Lu

16 setembro 2009

Da Veneza Brasileira ao Padim Ciço Romão

Fotógrafa: Maria Neves
Curador: Alexandre Alves

Veias que rasgam a vastidão do todo território nacional. Caminhos desbravados por décadas, centenas de anos. Hoje se tornam alvo dos olhos atentos de Maria Neves.


Na beleza de seu trabalho podemos sentir os contrastes entre homem e o meio em que vive, a cidade, o campo e as ligações entre estes dois mundos, as estradas.


“A paixão movida pelas peculiaridades existentes no território nordestino, despertara na minha pessoa, Nevinha, o interesse pelo registro destas imagens, pois estas paisagens antes de serem fotografadas, são poesias que me saltam aos olhos.”
Maria Neves

Neves ainda nos traz em imagens a ligação de proteção com o mundo espiritual, as crenças divinas de quem vive na estrada.


O trabalho de Neves começa em Outubro de 2008 e compreende uma série de imagens registros capturados entre a cidade de Jardim no interior cearense até Recife, centro urbano e capital pernambucana.






























Texto: Alexandre Alves
Fotos: Maria Neves

Do Afro-Brasileiro ao Nipo-Brasileiro


Exposição – Do Afro-Brasileiro ao Nipo-Brasileiro
Fotografo: Alexandre Alves
Curador: Maria Neves

            O que diverge nos pensamentos dos seres humanos que se segmentam e seguem determinados grupos?  E quais as razões para se definir e se seguir uma religião qualquer nesta parcela grupal dividida em crenças e costumes? Reflexos de questionamentos como este são registrados com frequência, principalmente em um país como o Brasil, tão diverso em termos de cultura e misticismo. 
            E foi exatamente diante desta inquietude, que a idéia desta exposição surgiu para o fotografo Alexandre Alves, autor das obras, que contendo diversos questionamentos tentou descobrir nas imagens por ele registradas, as expressões e gestos dos personagens destas religiões distintas, e por meio destas, as razões que os movem para desta forma agirem.
            Todo ser humano busca semelhança e afinidades em determinados grupos como uma forma de procurar uma identificação em alguém ou em alguma coisa, para se sentir parte de um todo, incluindo-se nesta busca segmentada, a religiosidade, suas crenças e todos os seus diversos costumes. 
            Uma exposição com imagens registradas no período de abril de 2008 ao inicio do mês de setembro deste ano de 2009, registrando a rotina de duas expressões religiosas distintas, em paralelo, onde a primeira é composta de figuras e símbolos representativos da religião Afro-Brasileira, Xangô, e a segunda, da religião Nipo-Brasileira, Tenrikyo. Estas buscam encontrar em gestos e expressões registradas, mesmo em ações tão divergentes entre os costumes, o perfil de cada seguidor, de acordo com as regras pré-estabelecidas, e as razões que o movem neste meio.
            Por fim, Alexandre Alves ao tentar desvendar o universo que move os fiéis seguidores de cada religião, se examinando em cada expressão a alma de cada um, de rostos concentrados, envoltos em um mundo aparentemente paralelo ao real, expressa com maestria, não uma resposta para todas essas perguntas, mas o reflexo fiel de todas as duvidas referentes a abstração que permeia o campo das crenças religiosas.



Texto por: Maria Neves
Foto por: Alexandre Alves